Zumbi existe? Porque acreditamos nisso

Zumbi existe? Porque acreditamos nisso

A raça humana é o alimento dos zumbis, mas eles estão em nosso cardápio cultural desde os primórdios da nossa história.

Um corpo em decomposição a céu aberto contamina o ambiente, e o ritual de enterrar os mortos em caixões, muito bem parafusados, provém da crença de nossos antepassados em que um dia os mortos poderiam voltar com uma fome insaciável.
Em alguns povoados da Europa os corpos eram enterrados com uma pedra na boca para que quando renascessem não pudessem morder. Outros chegavam até a mutilar os defuntos.

Fato é que os zumbis nunca estiveram tão na moda ao ponto de virarem blockbusters.

Só nos Estados Unidos, a série de TV The Walking Dead, chegou a uma audiência superior a 11 milhões de telespectadores.

Sua inspiração é uma série de HQs publicadas pela Image Comics em 2003 que também bateu recordes: em 2006, a primeira tiragem da trigésima terceira edição esgotou em apenas 24 horas.

No cinema desde 2002, a bela Milla Jovovich e os mortos-vivos de Resident Evil continuam arrastando legiões de fãs. Mesmo não sendo uma unanimidade de público e crítica, um filme que tenta criar algo novo no gênero é Colin, do diretor estreante Marc Price. Com um orçamento de inacreditáveis 78 dólares foi parar no festival de Cannes. A trama mostra a transformação de um jovem em zumbi e todo o apocalipse zumbi pela visão dele.

Até nos games os zumbis fazem sucesso. Em Call of Duty: Black Ops! eles aparecem em um modo co-op.

Zumbis têm uma longa história que muitos da nova geração de seguidores desconhecem. A palavra surgiu a partir do vodu haitiano: feiticeiros usavam magia negra para ressuscitar os mortos, ou possuíam a alma de um vivo, tornando-os seus escravos.

Em 1968, o cineasta George Romero mostrou em “A Noite dos Mortos-Vivos” uma metáfora da sociedade norte-americana com uma forte crítica ao capitalismo colocando o apetite insaciável dos zumbis como resposta ao consumismo desenfreado.

A desigualdade social também foi criticada. “A Terra dos Mortos”, de 2005, mostra os sobreviventes ricos vivendo em prédios de alto luxo protegidos por exércitos particulares enquanto os pobres lutam contra os zumbis vivendo em favelas na periferia.

Em 2011, um grupo de sobreviventes fica preso dentro de um shopping em “O Despertar dos Mortos”. Com o passar do tempo esse aspecto reacionário e anarquista se perdeu e os zumbis foram devorados pela mídia.

Zumbis também podem surgir por uma contaminação de vírus. Foi o que Danny Boyle mostrou em “O Extermínio”, de 2002. Ao tentar libertar chimpanzés contaminados pelo vírus da raiva, uma ativista de um grupo estilo Greenpeace é mordida e se transforma em zumbi. Rapidamente a epidemia arrasa a Inglaterra até que 28 dias após os acontecimentos, um jovem desperta do coma em um hospital e sai pela rua sem entender porque está tudo deserto. Danny Boyle quebrou o paradigma dos zumbis lerdos e lesados, eles ganham agilidade, correm e até se organizam em estratégias de ataque.

Hoje as novas gerações se preocupam mesmo é em matar zumbis com um sagaz instinto homicida. O que não se pode de forma alguma fazer na realidade se transformou em pura diversão ao arrebentar a cabeça dos mortos-vivos com um taco de baseball, atirar à queima rouba explodindo o cérebro, incendiá-los, ou fatiá-los em mil pedaços com um facão.

Até crianças – pasmem – adoram os zumbis. As bonecas zumbis estão contaminando meninas em todo o mundo.

Mitos religiosos, crítica à sociedade, ícones pop. O apocalipse zumbi dominou a cena atual e desbancou personagens clássicos como lobisomens e vampiros. Na opinião deste que vos escreve, em tempos de vampiros purpurinados, os zumbis não são uma ameaça: eles são a salvação do gênero horror.

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Eduardo Artico

Eduardo Artico

Redator publicitário. Especialista na arte de criar sacadinhas e anúncios.

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